o possível encontro
“o homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. o comêço da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. é meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. êste é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. a construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.”
de uma carta de hélio pellegrino, à guisa de prefácio de o encontro marcado, de fernando sabino
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Tags: gênio, fernando sabino, hélio pellegrino, mineirices, dessas coisas do tempo, fitas cassete com canções que nos tocam, we'll always have ipanema, da intransitividade de amar, chuva, "two of us"
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